Concurso Público Nacional Casa da Sustentabilidade
Local: Campinas, SP

Data do concurso: 2016

Área construída: 1499,30 m2

Arquitetura: Maria Jocelei Steck

Equipe:Larissa Bonello, Camila Ramos, Luciana Bandeira

Imagens-maquete: Thais de Freitas

 

O projeto da sede do COMDEMA atende aos objetivos propostos no programa de servir como  exemplo educativo de construção sustentável para a cidade de Campinas. Dentro do Parque Portugal, conhecido na região como Lagoa do Taquaral, o edifício tem como estacionamento de entrada o do portão cinco, já existente no parque, e pode ser acessado, internamente ao parque, pelas sete faces de orientação: norte, sul, leste, oeste, sudeste, nordeste e noroeste, tornando-se uma construção fluida, acessível por qualquer lado.

 

A edificação de 1499,30 m2 foi concebida de maneira que se integra totalmente ao entorno e permite uma continuidade da paisagem ali presente, e do caminhar em todos os dois pavimentos da construção e suas coberturas, criando um espaço amplo e flexível tanto para quem passeia no parque quanto para quem entra no edifício. 


As generosas rampas de acessibilidade se distribuem em três eixos principais (norte, sul e leste) que vai buscar os usuários do parque, na continuidade de sua caminhada ou de suas atividades, até chegarem às lajes jardins (teto verde) do edifício que servem, também, como mirante, lugar para encontros, compartilhamento, lugar de contemplação da paisagem e percepção da energia do parque. Utilizamos o conceito de percurso como fio condutor para essa integração e, ao mesmo tempo, para entender didaticamente os sistemas de funcionamento desse edifício sustentável. O edifício não interrompe, pelo contrário, permite percursos contínuos e variados através dele, para dentro dele e para o parque.

Formado por espaços ricos, onde o trabalho com a luz natural cria sensações e momentos diferentes, o prédio chama para caminhar e conhecer cada recanto dele e acolhe, assim como a própria natureza, com seus diferentes espaços, cores e detalhes.Um espaço com qualidade espacial e sensorial, harmônico e com diferentes possibilidades de uso e layouts, criando uma atmosfera interna que se mistura com o externo e que se encaixa à paisa-gem já existente na cidade.  A circulação entre blocos é livre mesmo que os painéis estejam fechados, tornando o espaço perfeitamente inteligível e permeável para todos os lados. A abertura dos painéis caixilhos se dá através de trilhos e vigas calhas até as empenas externas ao prédio criando uma grande praça/ varandas cobertas.


 

SUSTENTABILIDADE NOS MATERIAIS

Os materiais foram escolhidos de maneira que a construção do edifício articula com a história de sua localização, sem deixar de lado a questão da sustentabilidade. Além de aço, propusemos o uso de taipa de pilão. Estes materiais são reutilizáveis, não causam sobrecarga ambiental e são estruturais. Além disso, temos como exemplo a Catedral Metropolitana de Campinas, construída no século XIX e considerada a maior construção desta técnica do mundo.   


Contuando com a preocupação entre sustentabilidade e materiais utilizados, sugerimos o uso de gabião, utilizado para as rampas de acesso, conversando projetualmente com o entorno em termos de materiais, como com a Praça Arautos da Paz, ao lado do Parque, espaço multiuso da cidade, que também utiliza esse material.
 

Visto que Campinas se destaca como polo tecnológico do país, faria jus que especificássemos, também, materiais e sistemas altamente tecnológicos, automação, soluções inteligentes, intercalando-se, assim, o vernacular, alta tecnologia, natureza e ecologia dos materiais.